Beija-flor e Tuiuti são campeã e vice do carnaval carioca em 2018

Escolas campeãs do carnaval carioca em 2018 trataram temas de interesse social como preconceito, intolerância, golpe de estado, corrupção e injustiça social

O enredo sobre a corrupção partindo da escola de samba carioca Beija-flor lhe rendeu o título de campeã neste ano, a apuração acirrada rendeu o maior prêmio do carnaval onde falou também sobre intolerância e racismo. A apuração aconteceu nesta quarta-feira (14) a tarde na Marquês de Sapucaí (RJ). A iniciativa foi mostrar um Brasil monstruoso com suas mazelas sociais como violência, preconceitos contra a cor, o gênero, religião e até nos esportes. O destaque faz a escola somar 14 títulos no total dentro do grupo especial do Rio, ficando atrás apenas de Portela e Mangueira no total de vitórias.

Já a escola de samba Paraíso do Tuiuti, de São Cristovão (RJ), ficou em segundo lugar na apuração. A agremiação foi uma das mais comentadas durante o primeiro dia de desfile das escolas de elite no último sábado (10) conquistando principalmente o público das redes sociais figurando entre um dos assuntos mais comentados do mundo no twitter por algum tempo. A Tuiuti abordou a escravidão que até agora não teve fim e não deixou de tocar em  assuntos políticos como corrupção e manipulação das massas, uma das alas mais comentadas pelos internautas foi a dos manifestoches, pessoas com camisas de verde e amarelo feitas de marionetes com panelas nas mãos. Os quilombos e os operários foram tratados com destaque especial nessa narrativa da escola em mostrar que infelizmente a escravidão ainda não acabou.

Neguinho da Beija-Flor usou sua bela voz para contar histórias de corrupção, segregação e preconceito mostrando que “Monstro é aquele que não sabe amar (Os filhos abandonados da pátria que os pariu)”, em cima do romance de Frankestein, personagem que teve presença garantida em um dos carros alegóricos. Participações importantes e relevantes de artistas como Jojo Todynho e Pablo Vittar foram fundamentais para encabeçar a importância da luta contra a homofobia, o racismo e os padrões impostos pela maioria da sociedade. O sambista enfatizou que essa não foi a primeira vez que a escola ousou com um tom crítico no seu enredo, o fato também se deu em 1989 mas só agora com grande empenho, esforço e reconhecimento garantiram mais um sonhado título.

A Tuiuti retratou a escravidão da passada a atual com suas mais variadas sequelas mostrando que nos dias de hoje ainda pode estar viva embora mascarada, criticando abertamente a atual reforma trabalhista que tira direitos e privilégios dos pequenos que trabalham. O destaque mesmo ficou em um de seus carros alegóricos mostrando um homem vampiro com faixa presidencial e envolto por notas de dinheiro.

A política foi um tema bastante explorado neste carnaval de 2018, a escola de samba Mangueira por exemplo usou como forma de protesto aos cortes de verbas públicas feitos pela prefeitura do Rio de Janeiro, um boneco de Judas, com a foto do atual prefeito da capital carioca, Marcelo Crivella (PRB).

 

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