Dicas para não ser enganado com uma falsa notícia ou manipulado por uma

Internautas criticam forma como os veículos tradicionais de imprensa tentam manipular a opinião dos leitores vinculando imagens a títulos que não correspondem a ela. Reprodução: Perfil do Facebook

Dois fatos relevantes aconteceram nos últimos dias anteriores a esta quarta (6), um se deu através de mais uma leva de gravações de áudios do empresário denunciado Joesley Batista, dono da JBS, e o outro foi a descoberta de um ‘bunker’ em um apartamento onde foram encontradas malas que após contagem superaram os 52 milhões de reais que estariam supostamente ligadas ao ex-ministro de Temer, Geddel Vieira Lima, preso em seu domicílio na capital baiana.

Capa do jornal O Globo

A capa do Jornal O Globo surpreendeu parte dos internautas que afirmaram haver uma tentativa clara de manipular as informações confundindo a mente dos leitores atrelando o título destacado da denúncia feita pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a imagem dos milhares de reais encontrados no bunker. Um dos usuários comenta a falta de honestidade do veículo de informação em desviar a opinião do leitor anexando a imagem ao título em destaque escolhido. Para os que escolheram se informar pelos veículos tradicionais, mesmo que tenham presença digital influente, é preciso estar esperto com algumas artimanhas que podem usadas pelos mesmos e não serem mais enganados.

Em respeito às milhares de pessoas que precisam estar bem informadas todos os dias e construir uma opinião cada vez mais sólida sobre os fatos preparamos uma lista que pode lhe ajudar nesse sentido:

1 . Não julgue um livro pela capa, não tire uma conclusão precipitada de algo apenas anexando títulos e imagens.

Na imagem fixada no post é clara a tentativa do referido jornal de anexar um título destacado à uma imagem em evidência afim de confundir o leitor pois cabe a direção do jornalismo decidir o que fica evidenciado e destacado na parte principal do canal mesmo que o assunto tratado pelo jornalista ou colunista não retrate de forma fiel a chamada que foi feita na capa. Por isso verifique sempre o conteúdo mais a fundo do que realmente se trata o assunto para evitar que se crie uma informação através de poucos caracteres em um título destacado e uma imagem posicionada próxima à ele mas que pode estar anexada a um texto com pouca evidência geralmente com caracteres de tamanho menores.

As entrelinhas são muito importantes, tenha uma postura sempre de ter uma leitura detalhada para não deixar passar nada desapercebido.

2. Tente verificar outras fontes sobre o mesmo assunto antes de ter uma opinião formada sobre ele.

A velha brincadeira na infância do telefone sem fio onde um vai passando a mesma informação para o outro em cadeia e no final a prova é saber se aquela informação chegou correta pode trazer surpresas pois uma mesma mensagem pode ser passada de várias formas e com intenções ou objetivos diferentes. É pura inocência acreditar que determinado veículo está isento de possuir alguma intenção ao repassar um conteúdo ao seu leitor ou ouvinte sem transmitir algum tipo de posicionamento, emoção ou parcialidade.

A diferença é que estamos em pleno século 21 e na era da informação tudo pode ser apurado com mais facilidade bastando apenas alguns cliques direcionando para outros canais, grupos ou conteúdo diverso que possa estar debatendo aquele tema. Há um engano por parte da maioria da população, não é apenas no editorial que os veículos têm costumado externar suas opiniões próprias e sinalizar alguma tendência para um dos lados em questão.

3. Não acredite em tudo que vê ou ouve, procure participar ativamente das coisas.

Diante de uma questão importante que pode impactar com alguma relevância na sua vida ou na sociedade, uma das melhores alternativas é se inteirar mais a fundo ativamente participando de algum momento de discussão criado ou mobilização em torno do fato.

Saber várias opiniões dadas através de apresentações de especialistas, palestras de profissionais envolvidos diariamente no processo, a narrativa de líderes de diversas entidades aliadas ao tema e a participação em movimentos e grupos de debate podem lhe ajudar a ter um posicionamento formado com bastante embasamento, composto de argumentos sólidos onde o leitor não depende do que terceiros entregam mastigado mas se dirige diretamente na fonte do tema para entender bem a questão e até ajudar com soluções.

4. Antes de concluir sua opinião, verifique a veracidade dos fatos divulgados.

Na era digital onde tudo está disponível de forma mais rápida e transparente é possível ter algumas iniciativas que te ajudarão sobre algum tema com determinado dado ou estatística para conferir se é verdadeira ou falsa. Um dos melhores passos é o questionamento de alguns pontos como um verdadeiro quebra-cabeças que pode ser montado para que após a peça encontrada você consiga ver se ela se encaixa ou não no jogo. Alguns veículos têm usado da artimanha de colocar por exemplo tudo no mesmo bolo afim de confundir o leitor.

Em um mundo de rapidez onde grande volume de informação é jogada diariamente, muita coisa pode passar desapercebida mas algumas merecem uma apuração mais minuciosa. Por exemplo, quando se tratar de um depoimento confira todo o áudio ou vídeo para a devida apuração e confirmação da mensagem passada na matéria, se tratar de um volume de algo envolvendo várias pessoas analise a parte de cada uma nisso apurando sua devida responsabilidade, mesmo que você não entenda termos técnicos arrisque em verificar documentos disponíveis em anexo à matéria conferindo termos e valores percentuais citados.

5. Não caia em pegadinhas, suspeite diante do sensacionalismo e analise o grau de urgência que querem dar ao assunto.

Se no mundo dos negócios há uma certa repulsa com o medo ou dúvida, evitando termos como ‘ficar com um pé atrás’ ou ‘com a pulga atrás da orelha’, na era da informação isso se torna mais do que necessário para qualquer leitor.

Quando alguém tenta chamar sua atenção de forma desesperada sobre um tema pode estar havendo algum interesse por trás, portanto suspeite de chamadas jornalísticas que possam provocar o leitor de forma apelativa, parecendo atrair a atenção do leitor a todo custo, tal atitude funciona como um grito usado para desviar a atenção para algo e pode estar desvirtuando o foco de outro tema mais importante e de alto impacto.

6. Esteja atento a um conteúdo possivelmente editado em áudio ou vídeo.

O conteúdo editado com cortes em seu processo pode se tornar autêntico ou não dependendo da qualidade do assunto tratado, inteirando o leitor de forma completa ou deixando suspeitas com faltas de cenas e falas que poderiam elucidar o caso.

Com o avanço da tecnologia já é dado como certo o alto poder de manipulação através de programas que estão sendo criados para manipular falas alterando inclusive a expressão facial e movimentos da boca de indivíduos em geral, é preciso ficar cada vez mais atento aos pequenos detalhes, o mais esperto e inteirado será aquele detalhista que verificou a fundo determinado tema e tratou com o devido respeito se informando do máximo conteúdo possível e debatendo com pessoas que pensam iguais e também com as que possuem visões diferentes.

7. Verifique quem são os donos dos veículos de informação e seu histórico.

No Brasil infelizmente os principais veículos de comunicação incluindo rádio, televisão e internet ainda são controlados por grandes e influentes grupos econômicos que incluem políticos ou famílias aliadas a eles, isso é um fator determinante que lhe ajuda na hora de entender como a informação é passada quando incluída num contexto histórico dos cabeças dominantes daquele determinado veículo de informação.

É comum por exemplo que parlamentares façam uso de suas redações para influenciar opiniões de telespectadores ou ouvintes como também de inflar emoções e opiniões contra seus adversários. Um dos casos em que o poder político é presente acontece quando, por exemplo, um candidato vitorioso em determinada campanha eleitoral pode vir a se tornar uma vítima diária de noticiários comandados pelo seu rival derrotado, geralmente estes aproveitam problemas para abordar de forma maximizada e adotando um tom agravado com clima de caos e terror ao tema, diferente do retrato real na sua devida dimensão.

8. Busque opiniões contrárias mas atenção redobrada para algumas ferramentas.

É importante verificar opiniões contrárias sobre determinado tema, mas é preciso estar atento a algo que se torna cada vez mais crescente na internet pois a influência do algoritmo em grandes plataformas online sejam redes sociais ou buscadores tem sido um grande entrave para isso que é a entrega de um conteúdo com linha de pensamento semelhante. Com códigos cada vez mais voltados para trazer ao usuário aquilo que ele deseja e voltado principalmente para um comportamento do internauta apenas como um consumidor aliando produtos às suas práticas de consumo de acordo com o conteúdo que se relaciona está deixando cada vez mais difícil encontrar mecanismos que possam trazer essas informações contrárias e isso influencia também no conteúdo direto que chega até você em grandes redes sociais que estão formando cada vez mais bolhas e mostrando assuntos apenas que se alinhem ao modo como o usuário pensa.

Tudo formatado de acordo com um algoritmo que relaciona questões como curtidas, comentários, palavras-chaves, grupos e compartilhamentos na rede que colocam em evidência o que é de seu maior interesse afim de aumentar de forma considerável o tráfego da plataforma pela interação nela, o que pode atrapalhar o processo de formação de pensadores críticos. Tudo isso em troca de interesse publicitário para a rentabilidade da plataforma, que anuncia seu uso gratuito aos usuários mas faz com que os mesmos trabalhem de forma voluntária garantindo alto retorno lucrativo para a corporação proprietária da rede.

O teor desse conteúdo não se dá por via da marginalização dos grandes veículos de imprensa sejam eles tradicionais ou digitais mas sim pela necessidade de um tom crítico pelo histórico de adoção de um sistema fortemente tendencioso adotado pelos mesmos.

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